sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A verdade doi

terça-feira, 2 de setembro de 2008


Era horrível.

Pequena, miúda, magra, o pescoço fino, tremia como se viesse da neve. E parecia que lhe tinham dado por dentro da pele um violento banho de enxofre. Tinha jalde a face, a pele das mãos era amarela, os lábios, sem sangue, laivavam-se de amarelo, e nas olheiras cor-de-perpétua a esclerótica era cor-de-ovo. Lembrava um espectro de pesadelo, um ser irreal, onde só os seios duros e eretos davam uma impressão de vida impetuosa.

A cadeira e o sexo

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Xícaras de café

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Xícaras de café

Sabe... esses dias (hoje) vi na novela das oito (que começa ás nove) a menina lá que fugira e ficou grávida... bem, fiquei pensando... nós jovens somos muito louquinhos, pelo menos eu sei que eu sou. Posso parecer a quietinha, a santinha, mas... bem, até as verdadeiras santinhas, coisa que eu era há poucos anos atrás, qualquer coisa mais assim que surge nós ligamos os radares e enlouquecemos.

Primeiro foi o bate-papo da UOL, aquela merda que até nas salas de sexo não se fala tanto do rala e rola quanto no de adolescentes... péssimo isso. Devia ser proibido, mas isso que torna as coisas mais gostosas de se fazer. Sarrar aproveitando um momentinho dos pais longe, receber o cafajeste enquanto os pais estão fora, são exemplos de coisas proibidas porém gostosas que tive o (des)prazer de fazer... São esses momentos, são frações de segundo e graus centígrados a mais que nos fodem (literalmente) pelo resto da vida.

Ao menos que se tenha o mínimo de bom senso ou então um bocado de medo.

Fui uma pirralha medrosa, uma adolescente medrosa. Na minha época mais subtudo, mais underground, me deu muita vontade de fazer todas as merdas do mundo, mas por medo, não fiz nem um por cento do que pensei fazer. E agradeço a esse medo, porque quando a gente faz merda, quem faz a merda com a gente simplesmente some, e a gente fica sozinho, pagando o pato sozinho. Isso é regra. E pra achar uma exceção disso... vai sonhando...

Tou falando no sentido da mocinha fazer besteira por causa do garanhão, e o peste dar um pé na bunda da demente... claro! A mocinha vê no homem dela a fortaleza, a máxima proteção, e quando o cara some, geralmente a bestinha fica lá, ao leo, à mira dos fuzis, canhões e dedos certeiros.

Isso tudo por que já fui alvo de muitos dedos, tudo por que menti pra mainha dizendo que ia com o namoradinho (de merda) pra uma festinha do colégio, pra ir no shopping tomar capuccino... ora merda, eu devia era ter ido num motel, dar o cuzinho!

A desconfiança era a mesma e pronto...

O mal de não saber nadar

sábado, 16 de agosto de 2008

18h. Tirou o último cigarro e o isqueiro do bolso. Acendeu. Tragou. Soltou toda a fumaça a tossir. Esperava ele. Era a hora certa.Ernesto maquinava cada ação aflito. Viu o outro dobrar a esquina. Correu em zigue-zague entre os carros. Engarrafamento. Deu de cara com ele. Gritou:

- Te mato, ricardinho de merda!

Ricardo ouviu o grito mesmo estando com os fones, e reconheceu aquela voz quase engasgada. Virou-se para ver o perigo se aproximar, temendo que o louco estivesse armado. Resolveu sair da Rosa e Silva, pegando a Bandeira Filho a passos largos, rápidos, tão grandes quanto as próprias pernas e a própria altura, finalmente valera a alcunha de Chita nos tempos de colégio, as poças por todo cantos e bueiros retornando maré cheia, chegando na Agamenon, correndo ao longo da via... Precisava chegar logo na João de Barros - lá teria abrigo e proteção - pensava enquanto esbracejava a polícia por ter removido a viatura da Aluízio. Olhou para a Agamenon, inteiramente engarrafada, travada, inerte...nervosa.

Ernesto atrás. Desarmado porém furioso. A chuva grossa. Ele ensopado. Rua ensopada. Ele odiava água.

Ricardo porém não se incomodava, até gostava: era um alívio naquela maratona forçada. Resolveu atravessar a avenida, ignorando acessos, pistas laterais e quaisquer outras coisas, até mesmo ignorou a ponte logo à frente: Antepenúltimo, penúltimo, último passo e o salto.


Ricardo não sentia mais nada, apenas a chuva e seu corpo molhado, seu corpo em posição fetal, ao seu redor, apenas o ar, e as gotinhas da chuva, transe que se acabou num duro encontro com a grama e a lama do outro lado, e sorrindo calmamente apenas ouviu um barulho de algo caindo n'água e um grito revoltado:

- Merda!!!

 
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